sábado, 8 de junho de 2013

Amor Perfeito (da série Fábrica de Flores)


Flor que existe de verdade só em filme de cinema. Em câmera lenta ou em vinte quatro quadros por segundo, na terra que também é tela, um longa metragem se faz . No excesso de si mesma, muitas cores ao redor, a intérprete camaleoa, quente e Cleópatra como foi Liz Taylor, prova sem cessar peles, papeis diversos,  pétalas doces ou perversas. Ora dramática, ora litúrgica, por vezes santíssimamente épica. Não recusa nenhum papel por temer no ostracismo a decadência e por fim um fim sem glamour. A flor, diria Bataille, não envelhece honestamente como as folhas. No melodrama, porém, o amor é perfeito porque no fim todos são felizes para sempre até que a morte os separe. Ou quase. Resta saber como fica a flor depois do the end ao ver subir comovida todas as letras do adeus. Seja como for, na película da flor, o amor é cego, ou apenas fecha os olhos pra não ver passar o tempo, como na canção de Roberto Carlos que continua tocando na cabeça da gente mesmo depois que o filme acabou.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

poema-estopim

poeta que só prosa não morde
poeta que só dorme não aprende latim
poeta que só prosa nada saberá da pólvora
que silenciosa se esconde
por trás do poema-estopim

c.moreira