quarta-feira, 27 de novembro de 2013

PEDRA


TINHA UM POEMA NO MEIO DA PEDRA

C.MOREIRA

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Lótus



Nenumbo Nucifera, da família das ninfáceas, a flor de lótus boiando bela no silêncio da água, ou santa flutuando na cama e dormindo sem roncar. O perfume é mesmo de incenso e paz. Não ouso, então, imaginar quimeras, outros cheiros, fantasias banais, apenas mantras e sonhos de Buda e luz. Entrelaço as pernas, pousando as mãos sobre os joelhos e, assim, em posição de Padmásana, ouço a voz de um iogue hindu a me dizer que todos os deuses são santos, são sempre lótus. Suprema flor aquática que enigma a ciência ao espantar microorganismos, baixo astral, e partículas de pó. Lótus-egípcio, lótus-sagrado, lótus-da-índia, da Pérsia, Damasco, Marraqueche, Oiapoque, Calcutá. Em todos os lugares, menos aqui onde a geada voraz te castiga no limbo e no lombo do queimar. Resta, então, te ver tatuada, artificial, na pele da ninfa, seja no braço, no pescoço, nas costas, ou brotando dos pés onde pisa a moça, ou seja, na areia, no sol do calor de que gosta essa flor ou outra.