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sexta-feira, 18 de março de 2022

Sobre o "Esquinas"

 O professor e escritor Sérgio Kuns escreveu sobre o meu livro "Esquinas" na Gazeta do Contestado. Seguem o link e o texto.


Sempre há uma esquina perto de nós…

Quem é Sérgio Kuns – Veja!

Salve, galera, tudo bem? Estão se cuidando? Tudo certinho?

Nossa coluna, essa semana, vem com uma baita DICA DE LEITURA.  Prepare um cantinho confortável no sofá, algumas almofadas  – um cafezinho ou vinho acompanham bem, ou aquela sua puro malte preferida… Aqui nunca se sabe se estará frio ou calor… Mas cuidado com as almofadas, hein –  e viaje, conhecendo ou relembrando,  as esquinas de nossas gêmeas do Iguaçu.

ESQUINAS

Na correria do dia a dia, muitas vezes não percebemos o que existe ou acontece ao nosso redor, em nossas esquinas. Aquela parede com pintura gasta, talvez pichada; a antiga loja de ferragens; o bar; ou mesmo aquele terreno baldio… Cada esquina, assim como nós, guarda memórias e, infelizmente, a tribulação do nosso cotidiano acaba fazendo com que tais memórias enfraqueçam, muitas vezes até cair no total esquecimento.

Não no que depender desta sensacional obra publicada pela editora MicroNotas (Joinville, SC – 2020).

Aqui, Caio Ricardo Bona Moreira revisita as esquinas de União da Vitória e Porto União. A sacada é fantástica, daquelas que você pensa “por que eu não tive essa ideia?”. Cada capítulo da obra tem como protagonista o encontro entre duas ruas ou avenidas. Cada uma dessas esquinas tem algo que a marcou e, agora, fica registrado para aqueles que não as conheceram como outrora foram, além de despertar a nostalgia na galera da velha guarda, grupo no qual me incluo.

Caio possui o exímio domínio da palavra e vai, hábil e sensivelmente, tecendo crônicas maravilhosas, impecavelmente escritas, ao longo das quase 90 páginas da obra. Ora a linguagem é coloquial, ora mais apurada, mais elaborada, sempre adequada ao contexto da esquina em questão. Há muita poesia em sua prosa. Acredito que o leitor, sendo  morador das gêmeas do Iguaçu, sentir-se-á inebriado pelas lembranças do encontro da avenida Manoel Ribas com a rua João Gualberto: O saudoso Bar do Jonas, a boemia, suas personagens, convidando à boa prosa, amizades, curtição; assim como com a figura do velhinho sanfoneiro que marcou a esquina das ruas Germano Wagenfuhr e Matias Pimpão… Parece algo tão pequeno, e realmente o é, porém assim são as crônicas, certo? E mesmo essas coisas pequenas e aparentemente sem importância despertam o olhar do cronista e podem nos trazer grandes significados; também temos esquinas marcadas por constantes ocorrências de trânsito, como é o caso do encontro entre a 7 de Setembro e a Prudente de Morais, afinal, com dois clubes nas proximidades, as madrugadas, durante os finais de semana, tornavam-se muito mais aceleradas; e a muvuca que temos, até hoje, na região das avenidas Manoel Ribas e a Carlos Cavalcanti? Sorvetes, sinal vermelho furado, hippies vendendo artesanato, vida…

Ah… As praças…  É claro que as praças não ficariam de fora, também há espaço para elas: Praça do Contestado, Praça Hercílio Luz, Praça Coronel Amazonas…Até mesmo as linhas que dividem nossas gêmeas no mapa estão presentes pois, assim como as esquinas e as praças, também são personagens importantes que fazem parte da nossa história.

A obra contém, no todo, 37 capítulos. Em cada um deles, história, conhecimento, nostalgia e sensibilidade, tudo isso trazido à tona por uma pena detalhista, observadora e habilidosa.

Uma das leituras mais prazerosas que fiz nos últimos tempos… Procurei, no sumário, se havia Prudente de Morais/Matos Costa, pois lembrei da Livraria Iguaçu, na qual eu, ainda moleque, tensa e disfarçadamente, folheava as revistas de rock’n’roll e heavy metal que tanto chamavam a minha atenção… Não encontrei… Também fiquei frustrado com a ausência da Castro Alves com a Salgado Filho, pois morei ali durante um bom tempo, e crônicas daquela esquina é o que não faltam.  Quem sabe, Caio, possamos ter um ESQUINAS 2? Garanto que, quem conhece essa sua obra, vai concordar que é uma senhora ideia, que tal?

O livro conta, ainda, com a incrível arte de Raro de Oliveira ( capa, contra capa e também interior ) e o prefácio de Suzana Scramim. Vocês podem adquirir essa bela obra diretamente com o Caio através do e-mail : caiorbmoreira@hotmail.com

Boa leitura! Acreditem… A dica é quente!

Sérgio Kuns

Caio Ricardo Bona Moreira (1981) é natural de Porto União – SC. Professor de Literatura Brasileira na UNESPAR (Campus de União da Vitória). Também é o autor de Fábrica de Flores, Papele e Oriki Daqui, todos esses publicados pela editora Medusa.

link: https://gazetadocontestado.com.br/sempre-ha-uma-esquina-perto-de-nos/?fbclid=IwAR3MpzsF2VCC2lgGEF5e0IERzB-UweNJyjxLpBwh-5q2lF_MvncxALnkTjk

quarta-feira, 25 de agosto de 2021

O jornal Rascunho recomenda o livro Esquinas, de Caio Ricardo Bona Moreira



O jornal Rascunho (edição nº 255) recomendou o livro Esquinas, de Caio Ricardo Bona Moreira.

Nota do jornal:

01/07/2021

O cruzamento entre uma rua e outra, dentro de uma cidade, pode guardar cenas tão banais quanto significativas — depende do olhar de quem capta o momento. Entre as esquinas de Porto União, em Santa Catarina, e União da Vitória, no Paraná, o autor elabora breves ensaios poéticos e filosóficos sobre todas as possibilidades concentradas em um momento de transição. “A esquina”, afinal, explica um trecho da obra, “é o ponto de repouso que ao mesmo tempo é um ponto de tensão”.


O livro pode ser adquirido com o autor pelo email caiorbmoreira@hotmail.com

O livro Esquinas na revista Francisca




 

A edição número 15, da revista Francisca traz um dos textos que integram o livro Esquinas, de Caio Ricardo Bona Moreira, editado pela Micronotas (2020). 

Segue o link:

https://www.revistafrancisca.com.br/edicoes/

 

segunda-feira, 15 de março de 2021

Sobre Esquinas

 Crítica de Esquinas, por Luisandro Mendes de Souza:

Notas de leitura: Esquinas

Meu amigo Caio Bona Moreira me enviou com sua mais recente obra, Esquinas (Micronotas, 2020), um conjunto de ensaios ou poemas em prosa sobre diferentes esquinas de Porto União e União da Vitória (duas cidades unidas, como seus nomes sugerem, mas separadas por um trilho de trem que secciona seus centros comerciais). Algumas são reais e icônicas (como a Av. Manoel Ribas com a av. João Gualberto) e outras são imaginadas (como as ruas Rimbaud e Jean Genet). É um pequeno “roteiro sentimental” das Gêmeas do Iguaçu.

Há uma expressão que me pegou logo nos primeiros textos, o ver. Caio é às vezes um voyer da cidade. É alguém que olha a esquina em alguns momentos de fora dela, e em outros, como no caso da Av. Cruz Machado/Av. Ipiranga, converte a própria esquina em testemunha:

“Daquela esquina, a antiga construção tudo viu e tudo sabe.” […] Ali, certa vez, concentrei meu olhar e contemplei emocionado um Aleph.” (p. 26)

Às vezes ele se coloca nela, como personagem também, e passa a relatar tudo que se passa, como se quisesse fotografar a vida que nela se expressa e que, ao transformar em palavra aquele acontecimento, o transforma em literatura (Av. Manoel Ribas/Carlos Cavalcanti):

“[…] paro entre a Manoel Ribas e a Carlos Cavalcanti e, numa tarde de janeiro, anoto o que vi.” (p. 67)

Não é apenas um documento ou uma tentativa de retratar o mundo (impossibilidade que está na própria origem da literatura: ela não é o mundo mas não há outro caminho pra ela senão cantar o mundo tal como o poeta o sente). Como Drummond, sua matéria é o tempo, mas não apenas o presente.

Há outra forma? Como não se contaminar pelo ambiente em que vivemos? Que pulsão (compulsão?) é essa que nos move a sentir a cidade pela palavra?

E eu diria que é isso o que Caio faz ao longo dos seus “cantos”. Ele é um poeta que canta a sua vila, e também a sente. E é essa sensação que quer nos passar (suas cores, suas vozes, seus personagens):

“Daí tantos jardins sempre bem cuidados de flores e ervas regados com terços, lágrimas, chimarrão, e novenas de Natal. O único macho a sobreviver ali é o de um casal de curucacas a zelar pela segurança da rua no alto de um pinheiro quase quadragenário, uma espécie de trono real, paranista ou para-raios.” (pág. 40, ruas Felipe Schmidt/Voluntários da Pátria)

E o que temos é uma pequena epopeia em prosa, algo bucólica, pois o trem (agora parado, apenas objeto decorativo, eventualmente reativado para passeios), os carros, ônibus, caminhões, motos e bicicletas passam bem pouco por essas esquinas, pois não interessa ao poeta o metal, a mecânica e o ruído. Da engenharia, interessa no máximo o ângulo de noventa graus, esse ponto de encontro de duas retas, mas que ao mesmo tempo que é encontro, permite que algo se esconda.

E ajudados pelo seu olhar, vemos e passeamos, por uma cidade que é a cidade da nossa infância e juventude, embora não seja mais também, pois se as esquinas ficam, os personagens que nelas agora passam já são outros (o bar da esquina da Manoel Ribas com a João Gualberto fechou faz poucos anos).

Para o leitor desavisado isso pode tirar o atrativo do livro. Mas não esqueçamos dos passeios que demos pela Nova Iorque de Henry Miller ou pelo Rio de Janeiro, levados pela prosa de Machado de Assis, João do Rio ou Rubem Fonseca. E também não esqueçamos de tudo aquilo que só vemos porque a literatura nos mostra.

p.s.: a qualidade das ilustrações de Raro de Oliveira podem ser admiradas já na capa do livro.

fonte: https://luisandromendes.wordpress.com/2020/12/11/notas-de-leitura-esquinas/

Sobre Esquinas






O projeto "Página Sonora", do Sesc Santa Catarina (Polo de Florianópolis), produziu essa semana um podcast sobre o livro "Esquinas" (Editora Micronotas). O projeto, atualizado quinzenalmente, apresenta produções literárias catarinenses.
Acesse os links do podcast nas principais plataformas:


Descrição do episódio


Ouça neste episódio um trecho do livro "Esquinas", de Caio Ricardo Bona Moreira.

MOREIRA, Caio Ricardo Bona. Esquinas. Joinville: Micronotas, 2020

Ficha Técnica: Seleção e roteiro: Luciana Tiscoski (Sesc Palhoça) Leitura: Kamila Debortoli (Sesc Florianópolis) Edição: Marina Gelowate Fernandez (Sesc Mafra) Trilha Sonora: "Oceano" de Cleyton Eduardo Souza (Sesc Itajaí) e Peter Allan Ramos (Sesc Balneário Camboriú)


https://open.spotify.com/episode/6Q4kag6WxntEDiO20dtUNI



Caio Ricardo Bona Moreira

Caio Ricardo Bona Moreira surge no “Página Sonora” trazendo ecos do dia Internacional da Mulher, comemorado há pouco. Vale muito a pena conferir o fragmento do conto Mimi Amazonas Júlia Amazonas, do livro Esquinas, que ganha corpo na voz de Kamila Debortoli. O livro é um passeio por lugares, reminiscências, pessoas; são esquinas de encontros os mais inusitados, numa escrita cujo ritmo é quase um convite ao flanar por diferentes tempos. Mais uma vez, Benjamin é referência que se apresenta nas entrelinhas.

















E a clausura é o tema recorrente desses processos de escrita. “Tinha um livro do meio do caminho da rua. Era o Esquinas. Ele me ajudou a encarar esses tempos de clausura que estamos, aliás, ainda atravessando. Foi uma forma de pensar (a)través da literatura, de praticar uma manobra de flanco para contornar a saudade da rua, para matar a saudade da cidade e das gentes. Estar em uma encruzilhada é estar em um lugar de crise, mas não deixa de ser uma oportunidade de vislumbrar a perspectiva de uma outra via. Perambulo logo sou.” E a esquina desdobra-se em muitas camadas de sentidos, quando o autor desvela uma de suas maneiras de pensar seu caminhar literário, nem sempre um flanar tranquilo: “A literatura é essa curva em ângulo aberto pra driblar o perigo ou encarar de frente o viés.”


quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

Lançamento de "Esquinas" (Micronotas, 2020), de Caio Ricardo Bona Moreira



Nesta semana, acontece o lançamento oficial do meu livro "Esquinas" (100 páginas; ensaios/poemas em prosa; Editora Micronotas, 2020).


Apresentação do livro:

"Muitas coisas podem acontecer em uma esquina: um acidente, um encontro ou desencontro, uma epifania, uma desgraça, uma lembrança, ou quem sabe até uma ideia. Lá, o passante que estiver disposto a observar enxergará a síntese misteriosa do banal com o inusitado. 

A encruzilhada é o mundo do (im)possível. Basta parar para ver. Aqui, mais do que um tema ou um assunto, ela é o princípio motor ou gatilho para um conjunto de pequenos ensaios ou prosas poéticas sobre o cotidiano da rua, bem como sobre outras coisas da vida. 

George Simmel aproximou o ensaio do passeio: passear pela rua é uma ótima forma de pensar. Perambulo, logo sou. A cultura filosófica deste importante pensador da modernidade é fruto, portanto, de uma aventura. Perder-se numa cidade será sempre uma ótima forma de conhecê-la. Acho que foi Enrique Vila-Matas quem certa vez anotou: “Escrever é perder cidades”.

A deriva é uma espécie de método. A intermitência, uma riqueza. Trata-se de lançar um olhar filosófico e poético sobre o ponto de cruzamento: ou não é nele que sempre uma via termina e outra começa?

Portanto, esses lugares são um convite à viagem, ou seja, ao devaneio. O poeta se quer um catador. Os textos de “Esquinas”, inventariando seus achados, convidam o leitor a uma caminhada pelas ruas de Porto União (sc) e União da Vitória (pr), cidades que já foram uma só e hoje são cortadas por uma linha de trem. O que une as duas também as separa. 

Mas o leitor não se engane com sua geografia poética. O mapa é de se perder. Essas esquinas literárias são do mundo. Poderiam ser um canto ou uma quina qualquer de Nápoles, Barcelona, Montevidéu, Berlim, Cuiabá, Apucarana, Timbó, Teresina ou Tóquio. Uma curva na rua nos leva a uma outra e o texto vai e vem, assim, sendo tecido, enquanto o trânsito é costurado. 

A capacidade de entrelaçar, aliás, é fundamental para o exercício associativo, peça-chave da poesia. Escrever é inventar cidades. Pensar numa esquina, ou melhor, estar numa esquina pensando, será sempre uma forma enriquecedora de experimentar a vida posta em movimento. Lá, acaso e destino, realidade e ficção, arte e vida, tornam-se indiscerníveis. 

Inspirados ou não em João do Rio, poderíamos dizer: “Eu amo as esquinas”. É lá onde a rua faz a curva/cesura: é lá onde o poema (d)obra. É lá também onde um velhinho encontra o outro e tudo vira prosa."



Fragmentos:

"No encontro da Ipiranga com a Cruz Machado – não com a Avenida São João –, um velho prédio art déco assiste há quase cem anos à cidade envelhecer. Daquela esquina, a antiga construção tudo viu e tudo sabe. Talvez o leitor não acredite, mas na vidraça de uma de suas janelas é possível vislumbrar, nas tardes de abril, aquele ponto do espaço – mágico e borgeano – que contém todos os outros pontos. Ali, certa vez, concentrei meu olhar e contemplei emocionado um Aleph."

"A linha do trem: um pé aqui, outro lá. Onde estou? Nascido aqui, registrado lá, quem sou? A linha do trem que corta uma cidade em duas corta também um coração. Desterritorializado estou. Não sou catarina, não sou paraná. Tal qual franco-argelino, me divido e logo sou. Esaú e Jacó, todos os gêmeos serão sempre irmãos?"

"A esquina é o ponto de repouso que ao mesmo tempo é um ponto de tensão. Se tudo flui, nada permanece. E o que fica é esse (des)contínuo movimento, o exercício de dobrar sem cessar. A esquina une ou corta duas vias? Buda diria que unir-se significa inevitavelmente separar-se. É a natureza da vida. Penso o pensamento nascendo numa esquina. A questão, portanto, é filosófica e não deixa de ser mística. O que encontrarei e quem serei depois de dobrar a próxima quina?"


Sobre o livro, Susana Scramim escreveu:

"De modo muito inteligente e ao mesmo tempo sensível, Caio registra a vida da cidade confrontando o espaço urbano com a geografia sentimental. O resultado desse confronto se lê em Esquinas, trabalho esse que relaciono ao livro de memórias da infância de Walter Benjamin mediada pela experiência com a cidade".

"Nas esquinas de Caio, se pode observar dois fluxos de escrita: em um deles, se dedica a registrar a passagem do tempo e de suas ações no espaço urbano, no outro, se põe a reimaginar de um modo “alephiano” a materialidade das coisas, confrontada àquilo que não está mais ali e que apenas pode ser recriado"



O livro está disponível nas livrarias Arte & Letra (Curitiba) e Livros & Livros (Florianópolis).
Em Porto União e União da Vitória, o livro pode ser encontrado na Papelaria Risca de Giz, na Porto Presentes e no Sebo Macaco Studado.
Também disponível para encomendas diretamente comigo. Na cidade, entrego em casa! Para outras, envio por correio.


Coordenação Editorial: Katherine Funke
Projeto Gráfico: Pierre Themotheo
Ilustrações: Raro de Oliveira
Prefácio: Susana Scramim
Os preços variam entre R$25,00 e R$28,00.

capa aberta


Uma das ilustrações de Raro de Oliveira que integram o
livro "Esquinas"
Alguém adivinha qual?