
pressinto nesse teu ar
de mala femmena
o avesso de um mantra
um aviso de incêndio
cobra a dar o bote
fazendo simples manha
c.moreira
Nabokov, esse senhor das borboletas, em uma de suas famosas aulas para um restrito número de alunos das universidades de Wellesley e Cornell (EUA), refletiu sobre a sobre a relação entre arte e ciência no âmbito da figura do leitor: "O melhor temperamento que um leitor pode ter ou desenvolver é a combinação do artístico com o científico. O artista entusiasta, quando só, tende a ser subjetivo demais na sua atitude em relação ao livro, e assim a frieza do julgamento científico vai moderar esse ardor intuitivo. Se entretanto, um pretenso leitor é completamente destituído de paixão e paciência - uma paixão de artista e uma paciência de cientista - dificilmente apreciará a literatura maior".
Yehuda Amichai:
No dia em que minha filha nasceu não morreu ninguém
"No dia em que minha filha nasceu não morreu ninguém.
No hospital, e no portão de entrada
o aviso disse: "Hoje kohanim têm permissão para entrar."
E foi o dia mais longo do ano na minha grande alegria.
Eu me dirigi com meu amigo para as colinas de Sha'ar Ha-Gai.
Vimos um pinheiro doente, não havia nada sobre ele, mas estava carregado de pinhas.
Zvi disse que as árvores prestes a morrer produzem mais pinhas que as árvores saudáveis.
E eu lhe disse: Isso que você fez, mesmo sem sabê-lo, foi um poema.